SEMANA SANTA

Graças a Deus pelo homem que duvidou da Páscoa

Prof Correia

Editor Chefe

calendar_today 30 de março de 2026
schedule 6 min de leitura
Graças a Deus pelo homem que duvidou da Páscoa

Graças a Deus pelo homem que duvidou da Páscoa

Não o chamamos simplesmente de Tomé; chamamos-lhe Tomé o incrédulo. Por que ele, dentre todos os apóstolos, teve um insulto atrelado ao seu nome, eu não sei. Pedro negou Cristo três vezes, mas ninguém o chama de Pedro o Negador. Nem mesmo Judas, que cometeu traição contra Jesus, recebe o epíteto de Judas o Traidor. Mas o pobre Tomé não pode descansar em paz como apenas Tomé. Não, ele é Tomé o incrédulo, marcado para sempre.

Não nego que Tomé tenha duvidado. Isso é certo. Ele duvidou, e com muita veemência! Ele não estava presente com os outros discípulos quando Jesus lhes apareceu naquela primeira noite de Páscoa. Quando lhe disseram: “Vimos o Senhor!”, Tomé respondeu: “Se eu não vir na sua mão o sinal dos pregos, e não puser o meu dedo no lugar dos pregos, e não puser as minhas mãos no seu lado, de maneira nenhuma crerei”. Ele exige provas visíveis e tangíveis antes de ceder um milímetro sequer. Ele é teimoso, obstinado, um brutamontes. Um cético convicto.

E por tudo o que Tomé representa, sou grato. Graças a Deus pelo homem que duvidou da Páscoa.

Sim, por sua teimosia, por suas dúvidas, por sua negação, por seu ceticismo inabalável – por tudo isso, agradeço a Deus. Por quê? Porque, como disse São Gregório, “A dúvida de Tomé nos ajuda a crer mais do que a fé dos discípulos que creram”. Agradeço a Deus por Tomé ter duvidado, pois quando mais tarde “tocou as feridas na carne de seu mestre, curou em nós as feridas da nossa incredulidade”.

Qual era o problema de Tomé? Ele queria algo “real”, algo em que pudesse cravar os dentes — ou melhor, no caso dele, algo em que pudesse enfiar o dedo, como aquele buraco deixado por um prego da crucificação. Ele tinha visto o sangue pingar do corpo moribundo de Jesus; tinha visto o aço penetrar aquele corpo; tinha visto a madeira manchada de carmesim; tinha visto a pedra rolar diante do túmulo. Ele tinha visto tudo. E para Tomé, ver é crer.

Há apenas um problema: crer não é ver. “A fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos” (Hebreus 11:1). De fato, fé é crer exatamente no oposto do que vemos, pois é assim que Deus se revela a nós.

Deus sempre se disfarça. Jesus tem a aparência de um homem, vive como um homem, morre como um simples homem. Mesmo assim, a fé diz: “Jesus é Deus”. Você realiza seu trabalho diário, sua, tolera clientes mal-educados, lida com alunos indisciplinados, cumpre a rotina monótona do dia a dia. Mesmo assim, a fé diz: “Meu trabalho é sagrado, obra divina, pois sou um instrumento de Deus que Ele usa para cuidar dos outros”. Mesmo assim, você adoece, perde peso, sente dor, chora, se pergunta quanto tempo mais conseguirá aguentar. Mesmo assim, sua fé diz: “Sou um filho abençoado de Deus, agradável a Ele, e viverei para sempre em Cristo”.

Acreditar não é ver. Acreditar é confessar que Deus está onde parece não estar, confessar que Deus é bom quando parece ser mau, confessar que o que é realmente real é o Deus que se esconde por trás do oposto exato do que você vê. Isso é fé.

E é por isso que a fé é uma dádiva. Porque você não consegue fazer isso sozinho.

Assim como Tomé, consideramos essas coisas como reais: uma cova recém cavada no cemitério; uma conta bancária praticamente zerada; um filho que simplesmente não obedece; um cônjuge indiferente; colegas que zombam; amigos que traem; uma consciência que não se cala; um emprego que não satisfaz; uma doença que se agrava e se torna mais cruel a cada dia. Essas são as coisas que consideramos reais, como prova concreta de que Deus está nos negando algo, está zangado conosco, não nos ama tanto por quem somos quanto ama os outros.

Tomé era como nós. Contudo, Cristo não aparece para repreendê-lo por sua dúvida; Ele estende Sua mão marcada para que Tomé a veja. “Põe aqui o teu dedo”, diz Ele, “e vê as minhas mãos; e estende a tua mão, e põe-na no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente”. Tomé lê como em braille a mensagem de amor inscrita na pele do Salvador. Ele crê. Ele vê com os olhos da fé quem Jesus realmente é: “Meu Senhor e meu Deus”.

Esse é o caminho do nosso Senhor, o caminho da graça. Ele não abandona Tomé para se afogar num mar de dúvidas. Ele estende as Suas mãos marcadas pelos pregos e o acolhe. E assim Ele faz por você.

Ele toma suas dúvidas, seus medos, sua vergonha e sua amargura e os faz Seus. E Ele toma Sua fé, Sua esperança, Sua vida, Sua alegria e Sua glória e os faz seus. Ele não remove seus problemas externos; Ele lhe dá algo melhor: paz interior. Ele pode deixar sua família disfuncional, sua doença, seu vício, sua dor, mas não deixará um coração vazio de paz.

É disso que se trata: dar a você a paz que excede todo o entendimento, aquela paz que sabe que, não importa o quão infiel você tenha sido, Deus jamais lhe será infiel. Aquela paz que sabe que, não importa quão grande seja o seu pecado, o amor de Cristo é sempre maior. Aquela paz que sabe que, não importa o quão ruim este mundo possa se tornar às vezes, qualquer sofrimento aqui não se compara à glória que será revelada em nós. Essa é a paz que Cristo dá: paz de coração mesmo cercado por dez mil inimigos.

Assim como Tomé, sabemos que estas coisas são realmente reais: a misericórdia do Pai, que jamais nega seus filhos batizados; o amor de Cristo, dado e derramado por vocês em corpo e sangue; e a graça do Espírito Santo, que lhes dá a paz que excede todo o entendimento.

Mensagem reflexiva do Pastor Cleomárcio

Igreja Batista Getsêmani

Música de Ribamar CorreiaInspirado no texto do Pastor Cleomárcio

Graças a Deus pelo homem que duvidou da Páscoa

 

Compartilhe:

Posts Relacionados