Operação Fundo Oculto atinge prefeitos e apura caixa dois nas eleições de 2024
Prof Correia
Editor Chefe
Operação Fundo Oculto atinge prefeitos e apura caixa dois nas eleições de 2024
Oculto, que tem como objetivo investigar um suposto esquema de desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e financiamento ilícito de campanhas eleitorais durante as eleições municipais de 2024 no Maranhão.
De acordo com as investigações, duas organizações criminosas teriam utilizado empresas contratadas por prefeituras maranhenses para movimentar recursos públicos que, após serem creditados nas contas empresariais, eram rapidamente sacados em espécie e direcionados para finalidades ilícitas.
A apuração aponta que os grupos contavam com o apoio de um funcionário de uma instituição bancária localizada em São Luís, que teria facilitado a movimentação financeira investigada. Segundo a Polícia Federal, o esquema apresentava características típicas de lavagem de dinheiro, incluindo saques vultosos, depósitos em contas de terceiros e utilização de pessoas interpostas, conhecidas como “laranjas”.
As investigações revelaram ainda a existência de planilhas informais de controle financeiro, supostos registros de caixa dois e arquivos contendo informações sobre a logística de entrega de valores e monitoramento da movimentação policial nas proximidades da agência bancária utilizada pelos investigados.
O fluxo financeiro sob investigação atingiu seu maior volume nas semanas que antecederam as eleições municipais de 2024. Conforme a PF, as movimentações consideradas atípicas chegaram a quase R$ 10 milhões. Em um dos núcleos investigados, os repasses suspeitos somaram aproximadamente R$ 2 milhões.

Até o momento, 15 candidatos foram identificados como possíveis beneficiários diretos do esquema ou como destinatários de tratativas relacionadas aos repasses investigados. Entre os alvos das apurações estão prefeitos de municípios maranhenses que tiveram seus nomes mencionados durante a investigação:
Edésio Cavalcanti (Republicanos), prefeito de Turiaçu;
Neto Carvalho (PDT), prefeito de Araioses;
Márcio Viana (PSB), prefeito de Godofredo Viana;
Nonato Carvalho (PDT), prefeito de Magalhães de Almeida;
Ivaldo Ribeiro (Avante), prefeito de Miranda do Norte.
Por determinação do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA), foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão em diversos municípios do estado. Além disso, a Justiça autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, o afastamento cautelar de um servidor público e o sequestro de bens que somam aproximadamente R$ 4 milhões.
Segundo a Polícia Federal, as medidas têm como finalidade aprofundar as investigações, identificar todos os envolvidos, recuperar recursos supostamente desviados e impedir a continuidade das práticas criminosas investigadas.
Os investigados poderão responder, caso sejam indiciados e posteriormente denunciados pelo Ministério Público, por crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica eleitoral, desvio de recursos públicos e outros delitos contra a administração pública.
A Polícia Federal destacou que as investigações continuam em andamento e que os fatos ainda serão analisados pela Justiça, sendo assegurado a todos os citados o direito ao contraditório e à ampla defesa.