Maranhão 2026: entre o príncipe, o filósofo e as urnas
Prof Correia
Editor Chefe
Maranhão 2026: entre o príncipe, o filósofo e as urnas
Por Professor Correia
Filósofo, Pedagogo, Psicopedagogo, Historiador e Mestrando em Ciências da Educação.
As pesquisas eleitorais divulgadas nos últimos dias colocaram o prefeito de São Luís, Eduardo Braide, na liderança da disputa pelo Governo do Maranhão. Os números chamam atenção e indicam uma vantagem importante sobre o secretário estadual Orleans Brandão. Contudo, a filosofia e a história ensinam prudência diante das aparências políticas.
Se as eleições fossem hoje, Braide provavelmente chegaria ao Palácio dos Leões como governador eleito. Entretanto, a política raramente se comporta como uma fotografia estática; ela se assemelha muito mais a um rio em constante movimento.
A história política maranhense oferece exemplos valiosos.
Durante décadas, o estado foi dominado pelo grupo político liderado por José Sarney. Muitos acreditavam ser impossível derrotar aquela estrutura política. No entanto, em 2014, Flávio Dino conseguiu romper um ciclo histórico e construir uma nova hegemonia política no Maranhão.
Naquele momento, Dino representava a mudança.
Hoje, para uma parcela do eleitorado, Braide ocupa simbolicamente esse mesmo espaço político: o candidato da alternância, da renovação e da superação de um grupo que governa o estado há mais de uma década.
Mas a história também ensina outra lição: governadores costumam ser eleitoralmente fortes quando conseguem transferir prestígio político aos seus sucessores.
Foi assim em diversos estados brasileiros e também no Maranhão.
É exatamente nesse ponto que surge a candidatura de Orleans Brandão.
Subestimá-lo seria um erro político e analítico.
Embora ainda possua menor conhecimento popular em comparação com Braide, Orleans carrega consigo elementos que historicamente já decidiram eleições:
apoio da máquina administrativa estadual;
ampla base de prefeitos aliados;
forte presença institucional do governo no interior;
aprovação superior a cinquenta por cento da gestão estadual;
capacidade de investimento e inauguração de obras durante o período pré-eleitoral.
Se conseguir transformar a aprovação do governo em capital eleitoral próprio, Orleans poderá repetir fenômenos já vistos na política brasileira, nos quais candidatos inicialmente desconhecidos alcançaram crescimento acelerado durante a campanha.
Nesse aspecto, a filosofia política de Nicolau Maquiavel permanece atual. Para ele, a política resulta do encontro entre virtù e fortuna: competência política e circunstâncias históricas favoráveis.
Braide possui, neste momento, a fortuna das pesquisas e da popularidade.
Orleans aposta na virtù das alianças, da estrutura e da continuidade administrativa.
Outra variável decisiva atende pelo nome de Felipe Camarão.
O vice-governador representa o elo político e simbólico entre o governo Brandão e o legado político construído por Flávio Dino desde 2014. O posicionamento do grupo dinista poderá alterar significativamente o equilíbrio da disputa.
Caso Felipe Camarão e os setores ligados ao ex-governador permaneçam integralmente ao lado de Orleans Brandão, a candidatura governista tende a crescer especialmente entre o eleitorado progressista e nos municípios do interior.
Mas existe outra hipótese discutida nos bastidores políticos: uma aproximação entre setores do dinismo e Eduardo Braide.
Se isso ocorrer, o cenário eleitoral poderá mudar profundamente.
Braide passaria a dialogar não apenas com o eleitorado de centro e de oposição ao governo estadual, mas também com segmentos identificados com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com a esquerda maranhense.
Seria, provavelmente, a formação da maior coalizão política do Maranhão desde 2014.
Entretanto, alianças dessa natureza também possuem custos políticos, pois poderiam gerar resistências tanto entre apoiadores históricos de Braide quanto entre setores tradicionais do dinismo.
Foi justamente sobre o exercício do poder que os filósofos gregos dedicaram algumas das mais importantes reflexões da humanidade.
Sócrates acreditava que o governante deveria ser alguém comprometido com a verdade e com o permanente exame de suas próprias ações.
Seu discípulo, Platão, formulou uma das teses políticas mais conhecidas da história: “os males da humanidade somente terminarão quando os filósofos governarem ou quando os governantes aprenderem a filosofar.”
Nascia ali a ideia do rei-filósofo, o governante que exerce o poder não em benefício próprio, mas orientado pela justiça, pela prudência e pelo bem comum.
Já Aristóteles afirmava que a finalidade da política não é o poder pelo poder, mas a construção da felicidade coletiva através da justiça e das boas instituições.
Talvez essa seja a principal pergunta das eleições de 2026:
Quem estará mais preparado para conduzir o Maranhão rumo ao desenvolvimento econômico, à melhoria da educação, ao fortalecimento da saúde pública e à redução das desigualdades sociais?
Braide lidera e possui, hoje, razões objetivas para ser considerado favorito.
Orleans possui estrutura, alianças e condições políticas reais para transformar a disputa em uma eleição aberta.
Felipe Camarão e o grupo político construído por Flávio Dino poderão desempenhar o papel de fiel da balança.
As pesquisas apontam tendências.
A história ensina cautela.
A filosofia recomenda sabedoria.
E as urnas, como sempre, terão a palavra final.
Professor Correia é filósofo, pedagogo, psicopedagogo, historiador e mestrando em Ciências da Educação. Atua como pesquisador das relações entre educação, cidadania, democracia e filosofia política, dedicando-se ao estudo da formação humana e das transformações sociais contemporâneas.
