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ATL 2026 encerra em Brasília com forte mobilização indígena e defesa dos territórios

Prof Correia

Editor Chefe

calendar_today 12 de abril de 2026
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ATL 2026 encerra em Brasília com forte mobilização indígena e defesa dos territórios

ATL 2026 encerra em Brasília com forte mobilização indígena e defesa dos territórios

 Na tarde de sexta-feira (10/4), após cinco dias intensos de marchas, plenárias, debates, encontros com autoridades e apresentações culturais, o Acampamento Terra Livre 2026 chegou ao fim no Complexo do Eixo Cultural Ibero-Americano, no centro de Brasília.

Reunindo mais de sete mil indígenas de todas as regiões do país, a mobilização deixou um recado firme à sociedade brasileira e aos três Poderes da República: os povos originários exigem a demarcação de seus territórios e a proteção contra a exploração econômica predatória.

“Nossos territórios são a base da vida. É neles que estão nossas línguas, culturas, modos próprios de organização social e saberes. Os caminhos que sustentam o equilíbrio do planeta começam nos territórios indígenas”, destaca a carta final da mobilização.

O documento também reforça a relação direta entre a demarcação das terras e o enfrentamento da crise climática: “Não existe transição justa construída sobre a destruição dos nossos territórios. Não existe política ambiental séria sem garantir nossos direitos. O que defendemos não é apenas para os povos indígenas, mas para toda a humanidade”.

Em uma carta aberta direcionada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, organizadora do ATL há mais de duas décadas, reafirmou sua posição política, destacando apoio crítico e autonomia na cobrança por políticas públicas efetivas.

“O apoio não é cego. Seguimos com autonomia para cobrar e pressionar politicamente os rumos das decisões que afetam nossas vidas”, afirma o texto, que também defende a demarcação das Terras Indígenas como base da soberania nacional e da proteção ambiental.

Presença dos povos Ka’apor

Entre as diversas delegações presentes, destacou-se a participação dos povos indígenas Ka’apor e Guajá, do Maranhão, que estiveram ativamente envolvidos nas atividades do acampamento. A comitiva maranhense reforçou a luta coletiva pela garantia de direitos, especialmente no que se refere à demarcação e proteção da Terra Indígena Alto Turiaçu.

A presença dos Ka’apor no ATL 2026 simboliza resistência, organização e compromisso com a defesa de seus territórios e modos de vida, somando forças com outros povos indígenas do Brasil em uma mobilização histórica.

Avanços e anúncios do governo

Durante a programação, o governo federal anunciou avanços nos processos de demarcação por meio da Fundação Nacional dos Povos Indígenas. Foram publicados atos relacionados a Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação (RCID), criação de novos Grupos Técnicos (GTs) e a constituição de uma Reserva Indígena.

Os anúncios ocorreram durante a cerimônia de posse da nova presidenta da Funai, Lúcia Alberta Baré, que assumiu o cargo reforçando o compromisso com a ampliação das demarcações.

“Sem território não há vida, não há cultura, não há futuro”, afirmou.

A liderança indígena Raoni Metuktire também destacou a importância da luta contínua: “Precisamos garantir terras para os povos que ainda não têm e preservar nossas florestas para as futuras gerações”.

Lideranças presentes

O evento contou ainda com a presença de importantes lideranças indígenas e autoridades, como a deputada federal Célia Xakriabá, o ministro dos Povos Indígenas Eloy Terena, além das deputadas Sonia Guajajara e Marina Silva.

Dias antes, a então presidenta da Funai, Joenia Wapichana, havia publicado atos de reconhecimento de três Terras Indígenas no Amazonas, somando mais de 1,8 milhão de hectares.

                       

       

   

 

 

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