POLITICA

Lula e as Igrejas: A Verdade que os púlpitos não contam

Prof Correia

Editor Chefe

calendar_today 17 de outubro de 2026
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Lula e as Igrejas: A Verdade que os púlpitos não contam

Enquanto boatos de perseguição se espalham, leis sancionadas pelo próprio presidente garantiram liberdade, crescimento e proteção às igrejas evangélicas no Brasil

Por Prof. Correia

Há anos, uma narrativa se repete em grupos de WhatsApp, vídeos de redes sociais e até em alguns púlpitos: Lula fecharia igrejas, seria inimigo dos evangélicos, defenderia o aborto irrestrito e não saberia nem ler. Mas quando se vai aos documentos oficiais, às leis publicadas no Diário Oficial da União e aos registros do Congresso Nacional, a história é bem diferente. Esta reportagem foi feita para separar fato de boato — e fazer justiça à história.

  1. “LULA VAI FECHAR IGREJA” – A MAIOR MENTIRA.Nunca existiu um projeto, decreto ou lei do governo Lula para fechar igreja.Pelo contrário. Em 2022, Lula assinou a Carta Compromisso com os Evangélicos, onde se comprometeu publicamente com três pontos:

Garantir a liberdade de culto

Não fechar igrejas

Respeitar a separação entre Estado e Igreja.

Em outubro de 2026, ele voltou a reafirmar esse compromisso na Carta para as Famílias Evangélicas, defendendo o fim da escala 6×1 para que o trabalhador tenha mais tempo para estar na igreja, a proibição das bets — que segundo ele estão destruindo lares — e o combate ao crime organizado e à violência contra a mulher. Também é falso o boato da chamada “Lei Janja”, que taxaria igrejas evangélicas para financiar terreiros de umbanda. não existe nenhum projeto com esse teor no Congresso ou no Portal da Legislação.

  1. AS LEIS QUE LULA REALMENTE APROVOU PARA AS IGREJAS

Se Lula fosse inimigo das igrejas, ele não teria sancionado as leis que mais ajudaram o crescimento evangélico no país:

Lei 10.825/2003 — A Lei da Liberdade Religiosa

Sancionada no primeiro ano do primeiro mandato de Lula, essa é a lei mais importante para as igrejas. Ela garante que são livres a criação, organização e funcionamento das organizações religiosas, e que o poder público não pode negar reconhecimento a elas. Antes dela, para abrir uma igreja pequena era preciso se submeter a uma grande denominação. Depois dela, basta ata, estatuto e registro. Foi essa lei que permitiu a explosão de igrejas independentes em todos os bairros do Brasil.

Lei 12.025/2009 — Dia Nacional da Marcha para Jesus

Criou o dia oficial da maior manifestação evangélica do país.

 Lei 12.328/2010 — Dia Nacional do Evangélico.

Criou o dia 30 de novembro como data oficial de homenagem a milhões de brasileiros evangélicos.

Lei 14.647/2023 — Proteção contra ações trabalhistas

Sancionada sem vetos no terceiro mandato, essa lei deixa claro na CLT que não existe vínculo empregatício entre igrejas e pastores, padres e ministros, mesmo que eles atuem na administração. Foi um pedido antigo das igrejas para evitar processos trabalhistas injustos.

 Lei 14.970/2024 — Dia do Pastor e da Pastora Evangélicos

Criou o Dia Nacional do Pastor e da Pastora, no segundo domingo de junho, reconhecendo o trabalho de quem dedica a vida à fé. Lula também promulgou o Acordo Brasil – Santa Sé (2008/2010), que garantiu imunidade tributária para a Igreja Católica, ensino religioso facultativo nas escolas públicas e sigilo de ofício dos sacerdotes.Ou seja: nenhum presidente na história do Brasil sancionou tantas leis de valorização das igrejas como Lula.

  1. ABORTO: O QUE LULA REALMENTE PENSA?

Outro tema usado para atacar Lula é o aborto. Aqui, é preciso ouvir o que ele mesmo diz, e não o que dizem por ele:”Eu, Lula, sou contra o aborto.”Foi o que ele escreveu na carta de 2022 aos evangélicos. Como presidente, ele afirma que o aborto deve ser tratado como questão de saúde pública e decidido pelo Congresso, não por ele. Na prática, seu governo nunca aprovou uma lei para liberar o aborto no Brasil. O que ele fez foi: Manter o aborto legal nos casos já previstos em lei:

Estupro, risco de vida da mãe e anencefalia;

Ser contra o PL 1904, que queria transformar aborto após 22 semanas em homicídio;

Sair do Consenso de Genebra, um documento internacional contra o aborto.

Ser contra uma lei que pune mulheres vítimas de estupro não é ser a favor do aborto irrestrito. É defender que o Estado não criminalize ainda mais quem já sofreu.

  1. “ANALFABETO”? A VERDADE SOBRE A ESCOLARIDADE

Chamar Lula de analfabeto é uma das ofensas mais injustas — e mais fáceis de desmentir. Segundo o Senado Federal e a Câmara dos Deputados, Lula:

Foi alfabetizado no Grupo Escolar Marcílio Dias;

Estudou até a 5ª série do ensino fundamental;

Fez curso de torneiro mecânico no SENAI e se tornou metalúrgico e líder sindical.

Analfabeto é quem não sabe ler nem escrever. Lula sabe ler, escrever, discursar e governou o Brasil três vezes, sendo recebido pelos maiores líderes do mundo.

Ter pouca escolaridade formal por causa da pobreza não é ser analfabeto. É a história de milhões de brasileiros nordestinos que precisaram trocar a escola pelo trabalho ainda crianças para ajudar a família. Seu pai, sim, era analfabeto. Lula foi o primeiro da família a aprender a ler.

  1. POR QUE ENTÃO TANTO ATAQUE?

Se as leis provam o contrário, por que tantos líderes religiosos ainda atacam Lula?

A resposta não está nas leis, e sim na política:

  1. Pautas de costume: Muitos pastores veem o PT como defensor de pautas que eles consideram contrárias à Bíblia, como aborto, ideologia de gênero e direitos LGBTQIA+.
  2. Alinhamento com Bolsonaro:

Bolsonaro nunca escondeu sua admiração pelo período militar e por figuras autoritárias, então para os historiadores, o uso do lema “Deus, Pátria e Família” é uma referência direta a essa tradição integralista e salazarista.

Criador: Plínio Salgado, Ação Integralista Brasileira, 1932

Também usado por: Salazar em Portugal, Franco na Espanha, Mussolini na Itália

Desde 2018, grande parte das lideranças evangélicas se identificou com Bolsonaro e seu discurso de “Deus, pátria e família”. A partir daí, criticar Lula passou a ser parte da identidade política do grupo.

  1. O rótulo de “comunista”:

Lula é de esquerda, defende sindicatos, programas sociais e Estado forte, e sempre defendeu governos de esquerda na América Latina. Para seus críticos, isso basta para o rótulo, mesmo que seu governo funcione dentro do capitalismo, com bancos, empresas e livre mercado

  1. Ataque de imagem: Usar a baixa escolaridade como forma de desqualificar é uma estratégia política antiga. Para seus apoiadores, justamente essa origem humilde é o que faz Lula entender a realidade do pobre.

JUSTIÇA COM A HISTÓRIA

Pode-se discordar de Lula. Pode-se não votar nele. Pode-se criticar seu governo. Isso é democracia. Mas não se pode inventar que ele persegue igrejas, quando foi ele quem sancionou a lei que mais facilitou a abertura de igrejas no Brasil. Não se pode dizer que ele legalizou o aborto, quando ele nunca assinou uma lei para isso. Não se pode chamá-lo de analfabeto, quando ele sabe ler e escrever e tem sua trajetória registrada oficialmente.

A fé não precisa de mentira para se defender. E a política não precisa de ódio para convencer.

Fazer justiça ao governo Lula é reconhecer: ele pode não ser o candidato de todos os evangélicos, mas foi, pelos fatos e pelas leis, um dos presidentes que mais protegeu a liberdade religiosa no Brasil.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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