Lula e as Igrejas: A Verdade que os púlpitos não contam
Prof Correia
Editor Chefe
Enquanto boatos de perseguição se espalham, leis sancionadas pelo próprio presidente garantiram liberdade, crescimento e proteção às igrejas evangélicas no Brasil
Por Prof. Correia
Há anos, uma narrativa se repete em grupos de WhatsApp, vídeos de redes sociais e até em alguns púlpitos: Lula fecharia igrejas, seria inimigo dos evangélicos, defenderia o aborto irrestrito e não saberia nem ler. Mas quando se vai aos documentos oficiais, às leis publicadas no Diário Oficial da União e aos registros do Congresso Nacional, a história é bem diferente. Esta reportagem foi feita para separar fato de boato — e fazer justiça à história.
- “LULA VAI FECHAR IGREJA” – A MAIOR MENTIRA.Nunca existiu um projeto, decreto ou lei do governo Lula para fechar igreja.Pelo contrário. Em 2022, Lula assinou a Carta Compromisso com os Evangélicos, onde se comprometeu publicamente com três pontos:
Garantir a liberdade de culto
Não fechar igrejas
Respeitar a separação entre Estado e Igreja.
Em outubro de 2026, ele voltou a reafirmar esse compromisso na Carta para as Famílias Evangélicas, defendendo o fim da escala 6×1 para que o trabalhador tenha mais tempo para estar na igreja, a proibição das bets — que segundo ele estão destruindo lares — e o combate ao crime organizado e à violência contra a mulher. Também é falso o boato da chamada “Lei Janja”, que taxaria igrejas evangélicas para financiar terreiros de umbanda. não existe nenhum projeto com esse teor no Congresso ou no Portal da Legislação.
- AS LEIS QUE LULA REALMENTE APROVOU PARA AS IGREJAS
Se Lula fosse inimigo das igrejas, ele não teria sancionado as leis que mais ajudaram o crescimento evangélico no país:
Lei 10.825/2003 — A Lei da Liberdade Religiosa
Sancionada no primeiro ano do primeiro mandato de Lula, essa é a lei mais importante para as igrejas. Ela garante que são livres a criação, organização e funcionamento das organizações religiosas, e que o poder público não pode negar reconhecimento a elas. Antes dela, para abrir uma igreja pequena era preciso se submeter a uma grande denominação. Depois dela, basta ata, estatuto e registro. Foi essa lei que permitiu a explosão de igrejas independentes em todos os bairros do Brasil.
Lei 12.025/2009 — Dia Nacional da Marcha para Jesus
Criou o dia oficial da maior manifestação evangélica do país.
Lei 12.328/2010 — Dia Nacional do Evangélico.
Criou o dia 30 de novembro como data oficial de homenagem a milhões de brasileiros evangélicos.
Lei 14.647/2023 — Proteção contra ações trabalhistas
Sancionada sem vetos no terceiro mandato, essa lei deixa claro na CLT que não existe vínculo empregatício entre igrejas e pastores, padres e ministros, mesmo que eles atuem na administração. Foi um pedido antigo das igrejas para evitar processos trabalhistas injustos.
Lei 14.970/2024 — Dia do Pastor e da Pastora Evangélicos
Criou o Dia Nacional do Pastor e da Pastora, no segundo domingo de junho, reconhecendo o trabalho de quem dedica a vida à fé. Lula também promulgou o Acordo Brasil – Santa Sé (2008/2010), que garantiu imunidade tributária para a Igreja Católica, ensino religioso facultativo nas escolas públicas e sigilo de ofício dos sacerdotes.Ou seja: nenhum presidente na história do Brasil sancionou tantas leis de valorização das igrejas como Lula.
- ABORTO: O QUE LULA REALMENTE PENSA?
Outro tema usado para atacar Lula é o aborto. Aqui, é preciso ouvir o que ele mesmo diz, e não o que dizem por ele:”Eu, Lula, sou contra o aborto.”Foi o que ele escreveu na carta de 2022 aos evangélicos. Como presidente, ele afirma que o aborto deve ser tratado como questão de saúde pública e decidido pelo Congresso, não por ele. Na prática, seu governo nunca aprovou uma lei para liberar o aborto no Brasil. O que ele fez foi: Manter o aborto legal nos casos já previstos em lei:
Estupro, risco de vida da mãe e anencefalia;
Ser contra o PL 1904, que queria transformar aborto após 22 semanas em homicídio;
Sair do Consenso de Genebra, um documento internacional contra o aborto.
Ser contra uma lei que pune mulheres vítimas de estupro não é ser a favor do aborto irrestrito. É defender que o Estado não criminalize ainda mais quem já sofreu.
- “ANALFABETO”? A VERDADE SOBRE A ESCOLARIDADE
Chamar Lula de analfabeto é uma das ofensas mais injustas — e mais fáceis de desmentir. Segundo o Senado Federal e a Câmara dos Deputados, Lula:
Foi alfabetizado no Grupo Escolar Marcílio Dias;
Estudou até a 5ª série do ensino fundamental;
Fez curso de torneiro mecânico no SENAI e se tornou metalúrgico e líder sindical.
Analfabeto é quem não sabe ler nem escrever. Lula sabe ler, escrever, discursar e governou o Brasil três vezes, sendo recebido pelos maiores líderes do mundo.
Ter pouca escolaridade formal por causa da pobreza não é ser analfabeto. É a história de milhões de brasileiros nordestinos que precisaram trocar a escola pelo trabalho ainda crianças para ajudar a família. Seu pai, sim, era analfabeto. Lula foi o primeiro da família a aprender a ler.
- POR QUE ENTÃO TANTO ATAQUE?
Se as leis provam o contrário, por que tantos líderes religiosos ainda atacam Lula?
A resposta não está nas leis, e sim na política:
- Pautas de costume: Muitos pastores veem o PT como defensor de pautas que eles consideram contrárias à Bíblia, como aborto, ideologia de gênero e direitos LGBTQIA+.
- Alinhamento com Bolsonaro:
Bolsonaro nunca escondeu sua admiração pelo período militar e por figuras autoritárias, então para os historiadores, o uso do lema “Deus, Pátria e Família” é uma referência direta a essa tradição integralista e salazarista.
Criador: Plínio Salgado, Ação Integralista Brasileira, 1932
Também usado por: Salazar em Portugal, Franco na Espanha, Mussolini na Itália
Desde 2018, grande parte das lideranças evangélicas se identificou com Bolsonaro e seu discurso de “Deus, pátria e família”. A partir daí, criticar Lula passou a ser parte da identidade política do grupo.
- O rótulo de “comunista”:
Lula é de esquerda, defende sindicatos, programas sociais e Estado forte, e sempre defendeu governos de esquerda na América Latina. Para seus críticos, isso basta para o rótulo, mesmo que seu governo funcione dentro do capitalismo, com bancos, empresas e livre mercado
- Ataque de imagem: Usar a baixa escolaridade como forma de desqualificar é uma estratégia política antiga. Para seus apoiadores, justamente essa origem humilde é o que faz Lula entender a realidade do pobre.
JUSTIÇA COM A HISTÓRIA
Pode-se discordar de Lula. Pode-se não votar nele. Pode-se criticar seu governo. Isso é democracia. Mas não se pode inventar que ele persegue igrejas, quando foi ele quem sancionou a lei que mais facilitou a abertura de igrejas no Brasil. Não se pode dizer que ele legalizou o aborto, quando ele nunca assinou uma lei para isso. Não se pode chamá-lo de analfabeto, quando ele sabe ler e escrever e tem sua trajetória registrada oficialmente.
A fé não precisa de mentira para se defender. E a política não precisa de ódio para convencer.
Fazer justiça ao governo Lula é reconhecer: ele pode não ser o candidato de todos os evangélicos, mas foi, pelos fatos e pelas leis, um dos presidentes que mais protegeu a liberdade religiosa no Brasil.